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NOSTRADAMUS:
MÉDICO, HISTORIADOR E PROFETA



 
 

Legis cautio contra  Ineptos criticos

Quos legent hosce versus  nature centunto:
Prophanum vulgus et inscium  ne attrectato:
Omnesque Astrologi, Blenni, Barbari procul sunto,
Qui aliter facit, is, rite sacer esto.

Nostradamus,
Início da Centúria VI

Precaução legal contra os críticos despreparados.

Que todos aqueles que leiam este verso o considerem profundamente;
Que os profanos e os ignorantes dele se afastem
E longe dele todos os astrólogos, os néscios e os bárbaros (ateus);
E talvez aquele que disso se distancie seja abençoado pelo ritual sagrado


 

        Nostradamus é sem dúvida uma das personalidades mais controversas e possivelmente menos compreendidas da era moderna. Sua obra, constituída principalmente por sextilhas e quadras - as Centúrias – além de duas cartas, permanece em sua maior parte um enigma para a humanidade, em que pese o grande número de autores e obras que afirmem decifrar seu conteúdo.
        Em geral, esses trabalhos  são interpretações de seus textos, uma vez que todo o conteúdo de suas profecias foi escrito de maneira cifrada. Talvez, a “maldição” lançada contra todos os astrólogos, ignorantes, ateus e críticos despreparados, reproduzida acima, fosse um brado e um desabafo contra tudo o que , impropriamente, foi dito e afirmado a respeito delas.
        Nostradamus, ou Michel de Nostre Dame, foi um médico francês que viveu no Séc. XVI. Dotado de uma capacidade impressionante de previsão do futuro, possui inúmeros fatos relatados a atestar suas faculdades. Um dos mais conhecidos é o de ter, em praça pública,  solicitado a bênção a um jovem seminarista, designando-o por  “Sua Santidade”. Muitos anos mais tarde o seminarista foi coroado papa da Igreja Católica..
        Mas no que consistiria de fato a sua obra, qual o motivo de sua presença ostensiva em nosso tempo e principalmente qual o significado dela? Não é muito simples responder a essas perguntas agora. Talvez a maior dificuldade repouse nas concepções pessoais e na cultura materialista reinante em praticamente todas as civilizações modernas. No entanto, os estudiosos que parecem compreender realmente a dimensão da obra de Nostradamus não hesitam em afirmar que um de seus feitos mais notáveis foi o de ter escrito, no passado, uma carta destinada a um personagem de nosso tempo (Carta a Henrique Secundus), que possivelmente  teria um destacado papel em todo um processo de mudanças globais do planeta, também anunciado pelo profeta.
        Mesmo arriscando-nos a cometer erros,  poderíamos estabelecer alguns parâmetros  a respeito de sua obra. Em primeiro lugar, os tempos não podem ser conhecidos. Essa é uma afirmativa básica, contida em sua Carta a Cesar, o verdadeiro guia para o entendimento de seu trabalho;  por conseguinte, não devemos considerar como fidedignas as interpretações de seus versos que declarem o fim do mundo ou uma grande tragédia em uma data específica. O sistema de medição de tempo empregado por Nostradamus não nos foi revelado ainda e portanto qualquer afirmativa a esse respeito deve ser encarada com toda a reserva. Só para dar um exemplo da magnitude do problema, Nostradamus previu com precisão o tempo de vida de Adolf Hitler, em meses. Usou a sua data natalícia como ponto de partida para a identificação de vários eventos históricos importantes, como, por exemplo, a queda da França em 1940. No entanto, antes do desaparecimento de Adolf Hitler, como alguém poderia deduzir  a unidade de tempo utilizada?   Os fatos podem ter seus tempos conhecidos apenas após o seus acontecimentos, associando-se os indícios que Nostradamus inequivocamente deixou registrados em suas profecias.
        Por outro lado, a chave para a compreensão dos acontecimentos futuros pode ser obtida apenas por meio de faculdades extra-sensoriais, isto é por meio de estados alterados de consciência, fazendo-se uso da meditação e da intuição. Essa é, talvez, a única maneira de associarmos uma previsão de Nostradamus a um fato futuro. Por exemplo, a quadra a seguir, durante muito tempo foi associada a uma guerra; no entanto, ao que tudo indica, parece fazer alusão ao caso Bill Clinton/Mônica Lewisnky:

        Centúria 8, Quadra 14
        O grande  crédito do ouro e a abundância da  prata
        Farão a honra ser obscurecida pela libido
        A ofensa do adúltero será conhecida
        Que sobrevirá para a sua grande desonra

        Essa quadra faz menção ao discurso de Bill Clinton frente  aos processos movidos em virtude de sua infidelidade conjugal. Basicamente, seus triunfos econômicos foram usados para ofuscar a gravidade das acusações  que poderiam levar a um impeachment. Tentar associá-la ao fato antes da sua ocorrência seria praticamente impossível. A não ser que usássemos as mesmas faculdades  que Nostradamus utilizou.
        A importância da obra de Nostradamus reside no julgamento moral de nosso tempo que nos foi deixado como legado. Suas centúrias são um desfilar nada agradável das mazelas da humanidade de nosso século. Ódio, guerras, morte e destruição, ambição, enfim, tudo aquilo que de uma época distante mobilizou a indignação do profeta ao ver na tela do tempo o que o futuro reservava e o fez elaborar um trabalho que viesse auxiliar a humanidade de nosso tempo nos momentos cruciais do final de um ciclo planetário.
 

Texto Publicado no
Informativo Mensal
da SAARA
Sociedade de Amigos das
Adjacências da Rua da Alfandega
Número 57 - agosto 1999
Contato
Roberto Tostes
 
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