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O Nazi-Fascismo: A Origem Alemã
Revisão em 18-OUT-2002.
 

 III. 67.**

  Une nouvelle secte de Philosophes,
Mesprisant mort, or, honneurs & richesses,
Des monts Germains ne seront limitrophes
A les ensuyvre auront appuy & presses

 III. 67.**

Uma nova seita de filósofos
Que valorizará erradamente  a morte, ouro, honrarias e riquezas
Dos Montes Germânicos não serão limítrofes
Os seus defensores terão apoio e pressões

     
          Esta quadra refere-se à ideologia nazi-fascista.

        O primeiro verso fala  em uma nova "seita de filósofos".  O termo "seita" possui em geral para Nostradamus uma  conotação religiosa.  Ao qualificar como "seita de filósofos", está, de fato, simbolizando uma ideologia política. Porque toda postura ideológica deriva de crenças, ou verdades não provadas. Isto acontece também com a ciência, na medida em que se analisa de forma objetiva o papel do dogma (principalmente por pessoas preparadas para fazê-lo. Nem todo cientista o está, embora muito poucos o admitam). Mas aqui o pretendido é designar a ideologia do nazi-fascismo.

       O segundo verso merece uma explicação sobre a forma verbal "Mesprisant". O termo vem  de "prendrer", que significa manter, prender, apropriar, etc,  ou no  contexto abstrato de uma ideologia,   ter algo como um valor a ser prezado, mantido ou  guardado.  O termo "Mesprisant" é a reunião de mes+prisant (mesprendrer) e significa tomar uma coisa por outra, atribuir um determinado valor a algo, mas com uma valorização  incorreta.

        Por exemplo, os  terroristas muçulmanos suicidas são considerados mártires (por uma parcela dos muçulmanos) por que se atribui, equivocadamente, um valor meritório  à morte naquelas circunstâncias e com determinadas finalidades. Isto é, atribui-se à morte por meio do suicídio um valor que ela não tem.

      O parágrafo anterior serve de introdução para a explicação do segundo verso. A filosofia nazista prezava a morte (ou desprezava, dependendo de quem estava morrendo...) pela pátria, as questões ligadas à riqueza da Alemanha -o lebensraum,  espaço vital -, o conceito de honra, etc  de forma equivocada.  É uma menção que contesta os valores defendidos pelo nazismo e sua forma proposta para solucionar os problemas econômicos da Alemanha, responsabilizando, enfim,  os judeus,  comunistas, etc,  e todo o desdobramento que aquela ideologoia propunha. Particularmente o Mein Kampf era a "bíblia" dessa ideologia. E de uma coisa Adolf Hitler não pode ser acusado: a de ter omitido seus propósitos e sua linha de ação.  Ele apenas escondeu seus métodos. Se os líderes políticos que estivessem a negociar e a lidar com ele - por exemplo, Chamberlain, Deladier, Roosevelt, etc - houvessem lido o Mein Kampf, das duas uma: ou a guerra não teria ocorrido ou teria começado uns seis anos antes.

        O terceiro verso diz que a ideologia nazista surgiria na Alemanha, mas a seu território  não ficaria confinada.  É interessante observar como Nostradamus usou para dizer que que a ideologia nazista iria se expandir pela Europa: dos montes germânicos não serão limítrofes, isto é, os montes não seriam uma fronteira para a ideologia nazista. Essa afirmativa possui duas acepções.  

            A primeira prevê a ocupação de parte da Europa pela Alemanha. O nazismo não ficou confinado à Alemanha por dois motivos:

            a) a política anexação paulatina de territórios, no pré-guerra, duarante a década de 30

            b) pela ocupação militar durante a guerra

            Em ambas as situações, os nazistas contaram com colaboradores (A les ensuyvre). Por outro lado, esses também sofreram pressões por parte dos nazistas: as pressões por causa das deportações para os campos  de extermínio alemães. (ver quarto verso)


            Por outro lado,  a ideologisa nazista teve (e tem hoje em dia!) defensores na Europa e Américas, incluído o Brasil, com o Movimento Integralista. Em particular,  algumas  das figuras de destaque na Revolução de 64 vinham ded um passado integralista. Podemos resumir alguns movimentos derivados do nazi-fascismo:

        1) Grã-Bretanha: UNião Britânica dos Fascistas, liderados por Sir Oswald Mosley

        2) França:
                a) Ação Francesa, liderada por Charles Maurais, tendo, influenciado escritores como André Mauraux;
                b) Croix  de Feu, composta por veteranos de extrema-direita, sob a liderança do  Cel. François de La Rocque

                c) Também havia vários grupos menores

                d) A figura de Pierre Laval também representou, do ponto de vista político, o colaboracionismo
no mais alto grau. A postura colaboracionista não era gratuita, mas decorrente de uma sustentação ideológica preexistente

        3) Bélgica:  Movimento "rexista", sob a orientação de Leon Degrelle

        4) Estados Unidos: Liga Germano-Americana

         5) China: Chiang Kai-shek e os "camisas azuis"

     6) Brasil: Movimento Integralista,  de Plínio Salgado, que se não era exatamente um  genuíno  "movimento nazista", era uma " versão tupiniquim" e  procurava fazer-lhe a mímica em seus símbolos e saudações. De alguma forma iremos encontrar  o mesmo ingredientes que serviam de base à ideologia nazista: a deportação de grupos raciais, emntre outros. Era de faot um contrasenso, uma vez que Hitler dedicava pouco ou nenhum valor ao Brasil e em particular à América do Sul. Em um comentário afiramara sobre a América do Sul: "Aquilo lá eu resolvo com um telefonema". É curioso que do ponto de vista geopolítico até personalidades políticas, como Henry Kiensinger, adotaram durante muito tempo (e talvez ainda adotem)  uma postura semelhante.

         Para citar apenas alguns menos conhecidos do público. (Adolf Hitler, John Toland, Liv. Francisco Alves Ed. , 1976 (trad.).

        O fato é que por toda a Europa, face aos bons resultados dos quatro primeiros anos da gestão nazista (1933-1937), esses movimentos proliferaram na Europa em quase todos os países. E obviamente, sem falar na Espanha e Itália.

            No quarto encontramos uma interssante síntese de situações. Vamos analisar três acepções do termo presse (cf. Dicionário Petit Robert, pag. 1987)

           1)  multidão de pessoas ajuntadas em um pequeno espaço
           2)  prensa (de imprensa)
           3)  dispositivo destinado a prensar: pressões

           Essas três acepções  são igualmente aplicáveis aos que se aliaram ao nazismo.

        A primeira acepção fala das multidões que geralmente eram ajuntadas nos eventos,  festividades e manifestações nazistas (ou de  suas "filiais").  Não cabe aqui  a questão das deportações  para os campos de colncentração porque esses, obviamente, não eram seguidores  dos nazistas.

       A segunda acepção pode ser associada, em sentido figurado, à imprensa ou propaganda nazista, que não se restringia apenas aos alemães.

          A terceira  acepção refere-se a uma forma habitual de ação dos nazistas, principalmente com aqueles que visualizavam como potenciais aliados. Para uma exemplo, ver XI,54XI,55 ou IX,16. Da mesma forma, seus aliados muitas vezes eram objeto de ocupação (a Áustria, por exemplo). As pressões nazistas eram conhecidas e, de fato, eles só reconheciam a força como limite às suas ambições.  Os industriais alemães que os apoiavam  também foram   "pressionados". 

    Sobretudo, as pressões aqui referem-se às pressões para as deportações de judeus e outros incluídos como "inferiores" ou "degenerados"  pela "Nova Ordem"  que os nazistas pretendiam e efetivamente implantaram na Europa. As deportações atingiram vários países, em particular daqueles onde estavam seus aliados.

     
     
Referências
     
XI,54, XI,55, IX,16.
     
Notas
     
18-OUT-2002. Revisão de texto.  Extensão da acepção do quarto verso.
     
15-FEV-2002. Interpretação inicial.
     
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