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Esta quadra fala sobre a derrota dos
aliados na Europa, em particular das forças anglo-francesas, na Ofensiva
da Frente Ocidental, iniciada em 10-MAI-1940 e que levou à ocupação
da Holanda, Bélgica e Luxemburgo e à capitulação
da França (ver XI,54),
tudo isso
em um período de seis semanas (10-MAI a 25-JUN-1940).
Antes de analisar os versos, vamos traçar um breve
histórico.
Com a invasão da Polônia em 01-SET-1939 (ver I,34),
a guerra houvera sido declarada e tínhamos, basicamente, a
Alemanha
(Itália e Rússia em menor grau) de um lado e
Inglaterra
e França de outro. No entanto, após a campanha
da Polônia, o conflito, entrou em uma fase caracterizada
como sitzkriege: a guerra dos braços cruzados.
A Alemanha houvera jogado todo
o seu poderio militar contra a despreparada Polônia. Houve até
combate de cavalaria contra divisões panzer e o resultado foi uma rápida
conquista e ocupação alemã. Suas inovações
na arte militar, incluindo a blizkriege, que integrava
divisões mecanizadas, artilharia autopropelida, infantaria, comunicações,
engenharia militar e aviação, assombrou o mundo e era o indício
de que uma nova era pela mão militar estava a caminho.
No entanto, após
a queda da Polônia, os combates por terra entraram em compasso de espera
e as hostilidades se davam basicamente no mar: guerra submarina,
combates navais e afundamento de navios mercantes - em alguns casos de passageiros
também. Sobretudo, o inverno fez Hitler protelar seguidamente o início
da ofensiva em direção ao ocidente.
Em ABR-1940,
a Dinamarca e a Noruega, por motivos estratégicos ligados aos combates
navais, caíram rapidamente nas mãos dos nazistas. Um mês
depois seria a vez da Holanda, Bélgica e Luxemburgo e em seguida a
França.
Com o início da ofensiva na frente
ocidental em 10-MAI-1940, a Holanda sucumbe em cinco dias. Nesse período
foram selados os destinos da Bélgica, da França e da Força
Expedicionária Britânica1. Em particular, com
a ofensiva alemã em Sedam, as forças francesas, que constituíam
o centro dos exércitos aliados na região, foram simplesmente
destroçadas. Os que não morreram, ou foram capturados ou puseram-se
desordenada retirada.
A ofensiva citada no último
parágrafo acabou por colocar as forças franco-britânicas ao norte,
bem como 22 divisões belgas, sob ameaça de isolamento.
Por volta de 20
de maio, os tanques de Guderian investiram sobre Abbeville e estavam a pouco
mais de 20 milhas de Dunquerque. As forças franco-britânicas
caíram em uma inesperada armadilha.
Porém, por causa da interferência
de Goering, que reivindicou para a Luftwaffe a missão de aniquilar
as forças naquele bolsão, e talvez por considerações
políticas - Hitler desejava a celebrar a paz com a Inglaterra, para
se ver livre para sua campanha militar ao leste -, Guderian recebe
ordens de suspender seu avanço. Se tal ordem não houvesse
sido emitida, a história da retirada de Dunquerque, um verdadeiro
triunfo do improviso, teria sido muito diferente.
O mau tempo impediu
a decolagem dos aviões de Goering e isso deu margem a que os ingleses
num esforço fabuloso dessem curso à Operação
Dínamo, que conseguiu repatriar para a Inglaterra, até a
queda de Dunquerque, 335.000 homens, entre franceses e ingleses.
A França caía pouco depois, em 22-JUN(ver XI,54).
Um território ocupado pelos alemães (2/3) e uma área
"livre", a República de Vichy(1/3 do território). Tempos de
Pètain, Laval e Weygand.
Com esse longo preâmbulo podemos agora retornar à quadra.
O primeiro verso
diz que o maior complexo militar seria posto em rota de fuga. As forças
armadas francesas constituíam a maior força militar no conflito.
Tanto pelo exército quanto pelas instalações militares,
em particular a Linha Maginot. E esse exército, pelo descrito acima,
acabou derrotado, em estado de total desorganização em
função da ofensiva citada. A supremacia numérica, e
também em instalações, das forças armadas francesas
é reconhecida na frase do general britânico F. C. Fuller sobre
"o mais poderoso exército do mundo, enfrentando não mais
que 26 divisões alemãs, imóvel e abrigado por
aço e concreto, enquanto um aliado quixotescamente valente (a Polônia)
estava sendo exterminado"1.
Esse exército
(parte dele) foi posto em rota de fuga(Dunquerque). Cabe aqui uma consideração.
A linguagem de Nostradamus muitas vezes faz uso de inversões, como
entendemos haver aqui. No entanto, se lermos o verso em seu sentido direto,
o camp plus grand de route,
teríamos aí uma indicação da Linha Maginot, com
seus túneis a interligar as instalações militares, ou
seja, um campo composto por rotas, as linhas de trem. Lembremos que à
época de Nostradamus ainda não existiam trens e essa
seria uma forma para designá-los.
O segundo verso diz
que "pouco depois outro não será perseguido". O termo "pourchassé"
quer dizer "perseguir a quem já está perseguido" e está é uma imagem
bastante própria para as tropas sitiadas em Dunquerque. O que
o verso está dizendo é que pouco depois um outro exército não seria objeto
dessa mesma perseguição. Nostradamus refe-se ao Exército de De Gaule, da
França Livre, que abrigou-se na Inglaterra em seguida à Dunquerque,
como indica o terceiro verso.
De fato, Hilter desejava encerrar a guerra com a Inglaterra e
esse
talvez seja um dos motivos que levaram Hiltler
a emitir a ordem de suspensão do avanço de Guderian,
citado acima. Foram iniciados contatos com esse fim. As declarações
e elogios ao Império Inglês, as publicações
na imprensa e até boatos na Alemanha sobre um tratado de paz
surgiram à época. No milagre de Dunquerque, haviam as
pretensões de Hitler...
Quando as propostas
de paz foram recusadas firmemente pelos ingleses, Hitler passou a planejar
a Operação Leão Marinho, a invasão da Grã-Bretanha.
Mas como ficaria o recuperação
do Exército Francês? O terceiro verso diz "Ost recampé & legion reduicte".
Isto descreve o que aconteceu com o Exárcito Francês, agora estabelecido
na Inglaterra (oste recampe) e com um número reduzido de soldados. Mas foi
esse exército - junto coma Resistência Francesa - que recuperou o moral da
França, profundamente abatido pelos eventos relacionados principalemte com
Petain e Laval.
Por fim, o último verso diz
que a Gália - a França Ocupada, a República de Vichy seria por todos perseguida
"de fora". Com a divisão da França em um território ocupado e a República
de Vichy, sob o comando de Pètain, uma das primeiras providências
foi o rompimento das relações diplomáticas com a Inglaterra pelo Governo
de Vichy. Isso levou os ingleses a não mais confiar na França e por causa
disso várias ações em diversas colônias francesas, cujas tropas estavam
subordinadas a Vichy e não a De Gaule (França Livre) tiveram lugar. Os
principais fatos foram:
1) ataque à frota francesa em Mers-el-kebir (JUL-1940)
2) ataque às forças navais francesas em Dakar (Senegal)
3) invasão da Síria e Líbano(JUL-1941); a Síria era uma colônia francesa.
Este ataque das forças aliadas ocorreu em função de um conflito no Iraque
4) Madagascar invadida em 1942 pelas forças inglesas por medo que o Japão
viesse ocupá-la. Madagascar era uma colônia francesa
Outras escaramuças também ocorreram entre franceses subordinados a Vich e
ingleses. De fato a situação era bastante complicada: Roosevelt apoiava de
certa forma Pètain por não querer reconhecer De Gaule como líder
inconteste da França (acabou tendo que admiti-lo em 1944, com a fuga de
Petain para a Alemanha). |