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IV,12
A Ofensiva do Ocidente.
A Linha Maginot, Dunquerque, a Queda da França, a República de Vichy

 Revisão em 29-JAN-2004.
 

    IV. 12

Le camp plus grand de route mis en fuite,
Gueres plus outre ne sera pourchassé :
Ost recampé & legion reduicte,
Puis hors de Gaule du tout sera chassé.

 

   IV. 12

O campo militar maior posto em rota de fuga
Pouco mais outro não será perseguido
As hostes em novo campo, a legião reduzida
Mas fora a Gália por todos será perseguida
 

 

Tropas cercadas na praia de Dunquerque

 

       Esta quadra fala sobre a derrota dos aliados na Europa, em particular das forças anglo-francesas, na Ofensiva da Frente Ocidental, iniciada em 10-MAI-1940  e que levou à ocupação da Holanda, Bélgica e Luxemburgo e à capitulação da França (ver XI,54), tudo isso em um período de seis semanas (10-MAI a 25-JUN-1940).  Antes de analisar os versos, vamos traçar um breve histórico.

         Com a invasão da Polônia em 01-SET-1939 (ver I,34),  a guerra houvera sido declarada e tínhamos, basicamente, a Alemanha (Itália e Rússia em menor grau) de um lado e  Inglaterra e França de outro. No entanto, após a campanha da  Polônia, o conflito, entrou em uma fase caracterizada como sitzkriege: a guerra dos braços cruzados.

          A Alemanha houvera jogado todo o seu poderio militar contra a  despreparada Polônia. Houve até combate de  cavalaria contra divisões panzer e o resultado foi uma rápida conquista e ocupação alemã. Suas inovações na arte militar, incluindo a blizkriege, que  integrava divisões mecanizadas, artilharia autopropelida, infantaria, comunicações, engenharia militar e aviação, assombrou o mundo e era o indício de que uma nova era pela mão militar estava a caminho.

            No entanto, após a queda da Polônia, os combates por terra entraram em compasso de espera e as hostilidades se davam basicamente no mar:  guerra submarina,  combates navais e afundamento de navios mercantes - em alguns casos de passageiros também. Sobretudo, o inverno fez Hitler protelar seguidamente o início da ofensiva em direção ao ocidente.

            Em ABR-1940, a Dinamarca e a Noruega, por motivos estratégicos ligados aos combates navais, caíram rapidamente nas mãos dos nazistas. Um mês depois seria a vez da Holanda, Bélgica e Luxemburgo e em seguida a França.
      
       Com o início da ofensiva na frente ocidental em 10-MAI-1940, a Holanda sucumbe em cinco dias. Nesse período foram selados os destinos da Bélgica, da França e da Força Expedicionária  Britânica1. Em particular, com a ofensiva alemã em Sedam, as forças francesas, que constituíam o centro dos exércitos aliados na região,  foram simplesmente destroçadas. Os que não morreram, ou foram capturados ou puseram-se desordenada retirada.

          A ofensiva citada no último parágrafo acabou por colocar as forças franco-britânicas ao norte, bem como 22 divisões belgas, sob ameaça de isolamento.

            Por volta de 20 de maio, os tanques de Guderian investiram sobre Abbeville e estavam a pouco mais de 20 milhas de Dunquerque. As forças franco-britânicas caíram em uma inesperada armadilha.

          Porém, por causa da interferência de  Goering, que reivindicou para a Luftwaffe a missão de aniquilar as forças naquele bolsão, e talvez  por considerações políticas - Hitler desejava a celebrar a paz com a Inglaterra, para se ver livre para sua campanha militar ao leste -,  Guderian recebe ordens de suspender seu avanço.  Se tal ordem não houvesse sido emitida, a história da retirada de Dunquerque, um verdadeiro triunfo do improviso, teria sido muito diferente.

            O mau tempo impediu a decolagem dos aviões de Goering e isso deu margem a que os ingleses num esforço fabuloso dessem curso à Operação Dínamo, que conseguiu repatriar para a Inglaterra, até a  queda de Dunquerque, 335.000 homens, entre franceses e ingleses.

            A França caía pouco depois, em 22-JUN(ver 
XI,54). Um território ocupado pelos alemães (2/3) e uma área "livre", a República de Vichy(1/3 do território). Tempos de Pètain, Laval e Weygand.

            Com esse longo preâmbulo podemos agora retornar à quadra.

            O primeiro verso diz que o maior complexo militar seria posto em rota de fuga. As forças armadas francesas constituíam a maior força militar no conflito. Tanto pelo exército quanto pelas instalações militares, em particular a Linha Maginot. E esse exército, pelo descrito acima,  acabou derrotado,  em estado de total desorganização em função da ofensiva citada. A supremacia numérica, e também em instalações, das forças armadas francesas é reconhecida na frase do general britânico F. C. Fuller  sobre "o mais poderoso exército do mundo, enfrentando não mais que 26 divisões alemãs, imóvel e abrigado por aço e concreto, enquanto um aliado quixotescamente valente (a Polônia) estava sendo exterminado"1.

            Esse exército (parte dele) foi posto em rota de fuga(Dunquerque). Cabe aqui uma consideração. A linguagem de Nostradamus muitas vezes faz uso de inversões, como entendemos haver aqui. No entanto, se lermos o verso em seu sentido direto, o camp plus grand de route, teríamos aí uma indicação da Linha Maginot, com seus túneis a interligar as instalações militares, ou seja, um campo composto por rotas, as linhas de trem. Lembremos que à época de  Nostradamus ainda não existiam trens e essa seria uma forma  para designá-los.

           O segundo verso diz que "pouco depois outro não será perseguido". O termo "pourchassé"  quer dizer "perseguir a quem já está perseguido" e está é uma imagem bastante própria para as tropas sitiadas em Dunquerque.  O que o verso está dizendo é que pouco depois um outro exército não seria objeto dessa mesma perseguição. Nostradamus refe-se ao Exército de De Gaule, da França Livre, que abrigou-se  na Inglaterra em seguida à Dunquerque, como indica o terceiro verso.     

            De fato, Hilter desejava encerrar  a guerra com a Inglaterra e  esse talvez seja um dos motivos que levaram  Hiltler a emitir a ordem de suspensão  do avanço de Guderian, citado acima. Foram iniciados contatos  com esse fim. As declarações e elogios ao Império Inglês,   as publicações na imprensa e até boatos na Alemanha sobre um tratado de paz  surgiram à época.  No milagre de Dunquerque, haviam as pretensões de Hitler...

           Quando  as propostas de paz  foram recusadas firmemente pelos ingleses, Hitler passou a planejar a Operação Leão Marinho, a invasão da Grã-Bretanha.

         Mas como ficaria o recuperação do  Exército Francês?  O terceiro verso diz "Ost recampé & legion reduicte". Isto descreve o que aconteceu com o Exárcito Francês, agora estabelecido na Inglaterra (oste recampe) e com um número reduzido de soldados. Mas foi esse exército - junto coma Resistência Francesa - que recuperou o moral da França, profundamente abatido pelos eventos relacionados principalemte com Petain e Laval.

         Por fim, o último verso diz que a Gália - a França Ocupada,  a República de Vichy seria por todos perseguida "de fora". Com a divisão da França em um território ocupado e a República de Vichy, sob o comando de Pètain, uma das primeiras providências  foi o rompimento das relações diplomáticas com a Inglaterra pelo Governo de Vichy. Isso levou os ingleses a não mais confiar na França e por causa disso várias ações em diversas colônias francesas, cujas tropas estavam  subordinadas a Vichy e não a De Gaule (França Livre) tiveram lugar. Os principais fatos foram:

         1) ataque à frota francesa em Mers-el-kebir (JUL-1940)

         2) ataque às forças navais francesas em Dakar (Senegal)

         3) invasão da Síria e Líbano(JUL-1941); a Síria era uma colônia francesa. Este ataque das forças aliadas ocorreu em função de um conflito no Iraque

         4) Madagascar invadida em 1942 pelas forças inglesas por medo que o Japão viesse ocupá-la. Madagascar era uma colônia francesa

        Outras escaramuças também ocorreram entre franceses subordinados a Vich e ingleses. De fato a situação era bastante complicada: Roosevelt apoiava de certa forma Pètain por não querer reconhecer De Gaule como líder inconteste da França (acabou tendo que admiti-lo em 1944, com a fuga de Petain para a Alemanha).

     
     
Referências
     
XI,54,I,34,XI,48.
     
Notas 

1 Ascensão e Queda  do Terceiro Reich. Ed. Civilização Brasileira, William Schirer, vol. III, pag. 23.
     
13-SET-2002. Interpretação preliminar. Cancelada em 27-OUT-2002.
     
14-SET-2002. Revisão de texto. Cancelada em 27-10-2002.
     
28-OUT-2002. Esta quadra foi inicialmente associada à Primeira Guerra Mundial e ao Exército Imperial Russo, porém   a interpretação inicial foi anulada face ao sentido do quarto verso, que refere-se ao território francês. Toda a interpretação original e a revisão subseqüente foram canceladas.
     
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