Ant(Loc) Ant(Cent) Índice Local Indice(cent) Índice Temático Índice Completo Página Principal

English

Próx.(Cent) Próx(Loc)


Rasputin e Alexandra -II

Interpretação preliminar em 01-MAR-2006
 

IV. 71

En lieu d' espouse les filles trucidées,
Meurtre à grand faute ne sera superstile
Dedans les puys vestules inondées
L ' espouse estainte par hauste d' Aconile

 

c04q071.jpg

IV. 71

No lugar da esposa as filhas trucidadas
Morte à nobre falta não será superstição
Dentro da cova vestes inundadas
A esposa extasiada por causa da lança do agregado
 

     

      Esta  quadra faz referência à esposa de Nicolau II, Alexandra,  e à Rasputin, seu amante.  Essa relação já  foi  citada em IV,95, quando é dito, no primeiro verso que o reino seria deixado aos dois que bem pouco teriam.

       O primeiro verso parece fazer uma grave colocação, que é explicada pelo quarto verso.  Ele diz que, em lugar da esposa, os filhos é que foram trucidados(!).  Provas do envolvimento  amoroso entre Rasputin e Alexandra foram descobertas em março/2000. Um arquivo secreto de 500 páginas sobre Rasputin, compilado pelos bolchevistas pouco tempo depois de sua morte em 1916 contém farta documentação(veja aqui um texto a respeito). Em telegramas,  Alexandra chama Rasputin "querido". Em um deles, de  7-12-1914, Alexandra diz: "Hoje estarei de volta em 8 dias. Eu sacrifico meu marido e meu coração para você. Amor e beijos - Querida". Sobretudo, circulavam rumores na Rússia de que as quatro filhas de Alexandra também acabaram participando dos jogos de Rasputin.
 
        O assassinato da Família Romanov é descrito/citado (pelo menos) em  I,52. Foi um ato de extrema brutalidade. Reunidos em uma sala,foram  fuzilados sem piedade após a leitura da sentença(?). Como os membros da Família Romanov

Nicolau II

guardavam jóias escondidas sob suas vestes, a saraivada de tiros não levou todos imediatamente à morte. Os golpes de misericórdia de baioneta terminaram o serviço tenebroso.
   
        Se Nostradamus refere-se no primeiro verso à questão do uso dos filhos para guardar  as jóias enquanto a família real estava em cativeiro, o que ocasionou o trucidamento dos filhos ou, se de fato expressa sua indignação  frente à atitude leviana de Alexandra e no eventual consentimento sobre o envolvimento de suas filhas com Rasputin, talvez jamais o saibamos. Mas o envolvimento entre Rasputin e Alexandra é citado em pelo menos duas quadras - nesta e em IV,95. Aqui, o quarto verso é bastante direto e claro, sem rodeios sobre a atitude de Alexandra.
   
        Apesar do fracasso da guerra, uma fonte permanente de instabilidade para o regime czarista era a ligação de Rasputin e Alexandra. Rasputin foi assassinado em uma conspiração em 1916 exatamente por causa do escândalo provocado por aquela ligação. Sua influência nas questões políticas  da Rússia, face à evidente ascendência sobre Alexandra, tornou-se insustentátavel para o regime czarista com a partida de Nicolau II para a frente de batalha para conduzir o Exército Imperial na guerra.  Raputin influenciou decisivamente na escolha de autoridades que ocuparam cargos importantes, de poder, o que  lhe fez granjear inimizades políticas de peso, além do próprio escândalo causado pela presença na corte de alguém sem qualquer ascendência nobre. Suas manipulações sobre a saúde de Alexis também  deram  margem para muita especulação. Junte-se a isso as  inimizades acumuladas de longa data com os prelados da Igreja Ortodoxa. As bravatas sexuais de Rasputin, não só com a família real mas também com mulheres de todos os matizes comportamentais, de prostitutas a membros da corte acabaram por estabelecer as condições determinantes de seu trágico fim em dezembro/1916.

       O segundo verso fala dos rumores sobre a morte da família real na Rússia. O clioma era de certeza da morte bda família real, porém tudo era comentado "à boca pequena". O clima social reinante, de clara opressão (ver LXII,Jun), onde a coletividade  era utilizada para esmagar  as liberdades individuais é citado neste verso. Sobretudo, a casa de Nicolau em Ipatiev foi cercada com madeiras.  Ou seja, a morte da família real não era supertição, era uma certeza. Mas não era comentada ( Meurtre à grand faute ne sera superstile).

        O terceiro verso fala do que foi feito para ocultar seus cadáveres, inudando os corpos com gasolina (vestules inondées). Nem todos corpos  foram objeto do mesmo  processo em virtude da pressa com que as coisas foram feitas  (ver LXXXIX,OutVI,50)

        E o quarto verso fala da esposa que estava pelo hauste d´Aconile. A palavra hauste não existe, mas temos os seguintes vocábulos: 

        hausse: alto
        hast: lança
        hasté: que tem a forma de uma lança de ferro

        O termo d'Aconile  também não existe, mas temos:

        acon: pequena nau usada para embarcar e desembarcar mercadorias de um navio; uma nave "secundária"
        aconite:  planta venenosa
        acoquiner: unir-se a uma pessoa  pouco recomendável

        Sem falar do termo conífera.

        Agora vamos tentar entender   a imagem. Nostradamus usa o termo barca, nau, para designar  uma igreja, seita religiosa, etc. Por exemplo, a Igreja Católica é chamada de nef, isto é nave.  Rasputin designava-se a si mesmo como um religioso, místico e de fato os religiosos da Igreja Ortodoxa viviam às turras com ele, em um jogo de manobras com o fim de preservar o poder, uma vez que o  czar era também o chefe da Igreja Ortodoxa.  Talvez fique claro, então, o termo d'Aconile, que é um " barquinho", simbolizando o papel de Rasputin. Um serviçal, sem origem real.

      Seria interessante ver XXXII,Nov.

     O número da quadra   cita o ano da Revolução Russa ao inverso: IV.71 => 17 => 1917. 

    Não só isto: I,71=> 17 . A acompanhem o relato abaixo.  71=> 7+1=8 => 1918=> ano do assassinato. 17=> 7 => JULHO

Um adendo sobre o terceiro verso

    Dedans les puys vestules inondées
(Dentro dos buracos as vestes inundadas)

 

Abjeto. É assim que reputo o assassinato dos Romanovs. Lênin já tinha-os prisioneiros. Matar uma família inteira, incluindo uma criança possivelmente hemofílica  e meninas e moças que mal começavam a vida diante dos próprios pais foi um ato desumano que a História jamais esquecerá. O assassinato dos Romanovs  inscreve-se na História sob epíteto da covardia e da desumanidade absolutas.

Esta é uma tradução livre,retirada de um texto no site IPATIEV HOUSE, sem pedido de permissão formulado ainda,  a respeito do que aconteceu na Casa de Ipatiev, em 17-JUL-1918. Uma massacre desumano de quem jamais poderia ter o nome de humano, sob os auspícios de um  louco cuja memória a História acabará por forçar reconhecê-lo como um monstro.

"

O Drama

 Em 17 de Julho de 1918, pouco depois da meia-noite, o chefe dos guardas bolcheviques da família real acordou seus prisioneiros e pediu que descessem ao porão da casa para se abrigar. Ele disse que o exército Branco estava sitiando a cidade e que a batalha seria iminente.

O ex-czar Nicolau II, sua esposa Alexandra, suas quatro filhas, Olga, Tatiana, Maria e Anstasia, o Tsaverich Alexei e seus fiéis: Doutor Botkin, dama de acompanhamento  Anna Demidova, o cozinheiro Kharitonof  e o lacaio Trupp rapidamente levantaram-se. Depois de se aprontarem, os prisioneiros desceram ao porão da casa  onde foi solicitado que aguardassem o preparo de sua partida pra um local mais seguro. Dom lado de fora os Romanovs podiam ouvir o barulho de uma máquina. Yurovsky desapareceu.

Para os prisioneiros, a espera foi prolongada. Alexandra solicitou algumas cadeiras. Alguém trouxe-lhes duas. Subitamente,  Yurovsky entrou no recinto com 10 milicianos armados com rifles e pistolas, que então formaram um pelotão de execução. Todos os testemunhos a respeito do assassinato mencionam uma nota escrita por Yurovsky e que foi rapidamente lida por ele a Romanov imediatamente antes da execução. Por outro lado, o conteúdo da nota é mais discutido ainda...

 Yurovsky afirma ter dito algo como "Nicholas Alexandrovitch, seus amigosm tentaram salvá-lo mas não tiveram sucesso e somo obrigados a executá-lo". Essas palavras fazem referência aos diferentes planos (reais ou imaginados pelos soviéticos para justificar a execução) que teriam sido efetuados durante o seu cativeiro. Esta versão foi mantida pelo Juiz  Sokolov em seu trabalho e por by Pierre Gilliard em seu livro. Outras testemunhas ou fontes mantêm um ponto de vista diferente. De acordo com elas, a nota soou como "Como seus parentes na Europa conduzem seus ataques contra a Rússia Soviética, o Comitê  Executivo dos Urais decidiu fuzilá-lo".

Segundo outras fontes, Yurovsky teria concluído por "Sua vida terminou".

Alexandra e uma de suas filhas fez o sinal da cruz.NIcholas não compreendeu  as palavras de Yurovsky  e perguntou "O quê?"

Mas Yurovsky já havia carregado seu revólver Nagan a atirou em Nicholas que caiu. Foim o sinal para uma descarga geral. Cada homem tinha seu próprio alvo. Yurovsky reservou para si mesmo o Czar e Alexei. Quando o fogo  dos fuzis parou, algumas da vítimas ainda estavam vivas. Os soldados completaram  suas tarefas com coronhadas de fuzis e baionetas.

Em seguida os corpos oram carregados em um caminhão que deixou  Ekaterinburg às 2h30min em direção a uma antiga mina de ferro conhecida como "a mina dos quatro irmãos" (por causa de quatro grandes pinheiros),  localizada no meio de uma floresta próxima a à estada de Koptiaki. Lá, em uma clareira, os corpos foram despidos e os bolcheviques começarama queimar suas roupas. então os soldados descobriram muitas jóias escondidas, nos espartilhos das filhas que ao protegê-las das balas acabaram estendendo suas agonias.

Os bolcheviques atiraram os corpos no poço desabado e inundado da mina, mas não havia água suficiente e ainda podiam ser vistos. Então jogaram galhos de árvores no poço da mina para esconder os corpos.{cf. com terceiro verso: Dedans les puys vestules inondées).

Na manhã seguinte, por volta das onze da manhã, "o representante militar" Philip Golochtchekine e o presidente do Soviete local Bieloborodo vieram para inspecionar o serviço. Encontraram os traços visíveis da carnificina e o poço da mina não era fundo o suficiente e seus homens deviam esconder os corpos dos Romanovs em outro local.

Durante a noite, por volta das 4h30min, Yurovsky e seus homens trouxeram os corpos do poço da mina  e tentaram queimá-los (os do Czar, Alexei, Alexandra e Botkin). Mas os corpos estavam molhados e não puderam entrar em combustão.

Eles então reconduziram os corpos aos caminhões (incluindo os 4 que eles carbonizaram) para queimá-los em outra mina mais funda localizada não longe dali. 

Porém, após algumas milhas, o caminhão Fiat ficou preso na lama. Como estavam próximos a uma passagem de nível, retiraram dormentes de madeira de forma que os caminhões pudessem passar pela lama e decidiram queimar os corpos no local, sob a estrada.

Começaram a cavar um buraco, rapidamente colocaram os corpos dentro dele, recobriram-nos com os dormentes de madeira e deixaram o local, esperando terminar mais tarde.[ ver VI,50]

Mas os eventos não lhes deram tempo de terminar sua tarefa, porque alguns dias depois, em 25 de julho, Ekaterinburg caiu sob o avanço do expercito branco."

Nesta home page há várias traduções de  diversos textos espalhas nas diversas quadras, sextilhas e presságios. Nenhuma dessas traduções tão difícil de  elaborar quanto a desta. Um assassinato simplesmente revoltante em todos os detalhes.(C.N)



     
Referências
     
IV,95, I,52,P062M06, P089M10, VI,50, P032M11.
     
Notas
     
31-AGO-2002. Revisão de toda a interpretação. Documentação do envolvimento  entre Rasputin e Alexandra.
     
     
21-JUN-2002. Interpretação inicial.
     
Ant(Loc) Ant(Cent) Índice Local Indice(cent) Índice Temático Índice Completo Página Principal

English

Próx.(Cent) Próx(Loc)

Copyright ©2001-2002  Todos os direitos reservados. Reprodução e uso proibidos sem autorização