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V,26
Lênin, Stalin e a Revolução Cubana: Fidel, a Cópia

Revisão em 20-NOV-2005.
 

V. 26.
 
La gent esclave par un heur martiel,
Viendra en haut degré tant eslevé :
Changeront prince, naistra vn provincial,
Passer la mer copie aux monts levé.
 

   V. 26.

A gente escrava (da Rússia) por causa de um acaso militar favorável
Virá assumir um alto grau um tanto elevado
Mudarão o príncipe, nascerá um provinciano
Passará o mar (Oceano Atlântico) e uma cópia (Fidel Castro) aos montes será elevada
(Cuba, Siera Maestra)
 

     

         Esta quadra fala de Lênin, Stalin, Fidel Castro  e  da expansão da Revolução Comunista pelo mundo sob o domínio de Stalin. 

        O primeiro verso uso o duplo sentido para indicar a origem do povo e a sua situação: gent esclave = gente escravizada (explorada) e também gente eslava, os russos.

        O segundo verso fala da proeminência da União Soviética no cenário mundial ( a polarização com os EUA), durante o período da Guera Fria, mas diz que essa posição era "um tanto elevada", isto é, mais aparente do que real e decorrente de uma  questão militar e não econômica, como ficou claro após o esfacelamento da União Soviética.  Esse tema também acha-se indiretamente analisado na quadra X,98, que analisa o ativismo político e a internacionalização da ideologia comunista pela via da luta armada.

        O  " heur martiel" citado é a derrota militar da Alemanha em 1918. Esse fato praticamente tornou letra morta o Tratado de Brest-Litovsky e terminou por enfraquecer o ímpeto do Kaiser em divulgar  as denúncias de suborno e traição, em tempo de guerra,  contra Lênin  e os bolchevistas (ver X,98). O Kaiser tencionava utilizá-las para destruir a Revolução Russa. Por um acaso (a entrada dos EUA na primeira Guerra, face à desastrada política externa do Kaiser), a Alemanha se viu derrotada e os fatos contundentes não foram divulgados.  O kaiser  passou a temer por sua segurança, face à eventual associação de seu nome com os "judeus bolchevistas", em tempo de guerra. A Alemanha derrotada e humilhada pelo Tratado de Versailhes estava  sedenta por  bodes expiatórios. O ímpeto racista àquela época  era muito forte e esse  fato foi usado por Hitler nos primórdios de seu discurso político.  

        Citamos, adicionalmente,  outros fatos históricos que também ajudaram a União Soviética a adquirir um status elevado no concerto internacional:

       1)  A Primeira Guerra Mundial, em seu que, por meio das derrotas do Exército Imperial Russo, propiciou o enfraquecimento do regime czarista, criando as condições adequadas de instabilidade  para a eclosão da Revolução Russa de 1917.

        2)  A organização do Exército Vermelho, por Trotsky,  sem dúvida uma força militar poderosa que acumulou vitórias inegáveis ao longo de sua existência. Talvez, a sua única derrota, e ainda assim localizada e ao final da União Soviética, tenha sido no Afeganistão. De qualquer forma uma derrota circunscrita e sem maior conseqüência militar direta.

        3) A própria entrada dos EUA  na Primeira Guerra, incitada por um ato equivocado dos alemães (conspiração para que o México retomasse seus territórios nos EUA)  não pode ser tributada como totalmente negativa para os soviéticos porque permitiu que os efeitos desfavoráveis  do Tratado de Brest-Litowsky fossem eliminados, face à derrota alemã (atenção: a entrada dos americanos foi antes do tratado).

        4) O ataque a Pearl Harbour pelos japoneses terminou por reduzir o ímpeto de guerra alemão, com a entrada dos americanos na Segunda Guerra Mundial. Como conseqüência, com a Inglaterra, França e Alemanha em  frangalhos, restou ao Exército Vermelho  assumir o controle do Leste Europeu, praticamente sem forças de oposição.  A polarização das superpotências na segunda metade do Séc. XX foi devida a esse aumento da esfera de influência da União Soviética na Europa, um fato nitidamente militar e não econômico.

        O ex-presidente americano Ronald Reagan foi o protagonista do desmantelamento da União Soviética.  Em uma reunião com o Gen. Vernon Walters disse estar cansado de ouvir de  seus assessores que a União Soviética possuía números que a colocavam à frente dos EUA, no campo militar. E indagou-lhe: "Onde temos mais do êles?". E a resposta veio direta: "Dinheiro". O estrangulamento econômico imposto à União Soviética pela política de Ronald Reagan  decretou a sua morte, que sobreveio  em meio a uma enorme crise econômica na Rússia, durante um longo tempo. Isso talvez sirva para mostrar que, diferentemente de outras supremacias, como a da Inglaterra, da França, etc, ao longo da História, a soviética foi calcada essencialmente no aspecto militar e em sua esfera de influência apenas.

        O terceiro verso fala do governante que levará a cabo essa expansão:  Stalin, um provinciano, que sucedeu a Lênin.

        O quarto verso, fala da expansão da Revolução Comunista, que transporia o mar (O Oceano Atlântico)  e uma cópia (de Stalin, isto é, Fidel Castro) seria levada aos montes (Sierra Maestra em Cuba, de onde a Revolução Cubana começou,  para conquistar o resto da ilha). Fidel procurou identificar-se com Lênin, como mostram suas fotos do período inicial da Revolução Cubana, porém a identificação pelo tempo em que permanece no poder e as "conspirações" contra as quais luta permanentemente mostram  que ele é uma cópia de Stalin.
 
         Na ilustração, no canto inferior esquerdo uma daquelas imensas estátuas de Lênin, que os comunistas adoram. Em Cuba.  

        Vide Notas.

Algumas coincidências numéricas

      V, 26 => 1926 , ano da morte de Felix Edmundovich Dzerzhinsky, o grande "chefe" da Cheka, depois GPU, NKVD ect

     
     
Referências
     
X,98.
     
Notas
     
20-NOV-2005.
     
Passer la mer copie aux monts levé.
     
  20-NOV-2005 a) 04h45 » Fidel brinca sobre "Parkinson" e diz estar "melhor que nunca"
     
08-JAN-2003. Tradução dos artigos do tratado de Brest-Litovsk. Ver ao fim da página. Os números dos parágrafos da tradução podem não corresponder ao original, porque foram inferidos a partir do texto.
     

26-AGO-2002. Breve revisão de texto.

     
13-FEV-2002. Correção da identificação de Fidel Castro. Fidel buscou aproximar sua imagem com a de Lênin e não com a Stálin.  O termo copie também significa exército, porém cremos que a interpretação mais próxima ao significado pretendido da quadra é a que destaca o aspecto ideológico da Revolução Comunista em seu ímpeto de buscar a internacionalização, como forma de tornar-se universal. (ver X,98). Principalmente porque as tropas do Exército Vermelho não foram exatamente deslocadas para Cuba.
     
28-JAN-2002. Quadra revista em 28-DEZ-01. Descoberta do significado do termo heur martial.
     
25-JAN-2002. Reinterpretação do quarto verso. Menção à Revolução Cubana.
Para quem ainda não percebeu: os da Revolução Comunista vão atingir um grau de altura um tanto elevado ("vão ficar numa boa, vão subir na vida"); sai Lênin entra um provinciano (Stalin)... Atravessa os mares e surge uma cópia (de Stalin, Fidel) bem elevada, em Cuba,  nos montes, lá no alto de Sierra Maestra...  Se é que ele não está dizendo aquilo que a gente está pensando mesmo no início do quarto verso... Vamos ver, Stalin morre em fevereiro de 1953, a Revolução Cubana vem poucos  anos depois...Tudo rimadinho, na métrica, com apócope  e coisa e tal.  Nostra, meu caro, com todo respeito (e só aqui entre a gente  e a torcida do Flamengo),  como já dissera antes, quero morrer em  boas graças com a vossa pessoa...
     

O Tratado de Brest-Litovsk

Artigo I. Os estados da Alemanha, Áustria-Hungria (Império Austro-Húngaro) e Turquia, por um lado, e Rússia, pelo outro, declaram que o estado de guerra entre eles cessou. Os Estados resolveram, por conseguinte,  viver em paz e amizade entre si.

Artigo II. As partes contratantes irão se abster de qualquer agitação ou propaganda contra o Governo ou instituições públicas ou militares da outra parte. Em que pese esta obrigação recair sobre a Rússia, vigora também para os territórios ocupados pelas Potências da Quádrupla Aliança.

(OBS: os territórios são aqueles ocupados pela Alemanha na Rússia; a Rússia se absteria de promover agitação nos  territórios que abria mão, citados no artigo seguinte)

Artigo III. Os territórios situados a oeste da linha concordada pelas partes contratantes, que pertenciam anteriormente à Rússia, não estarão mais sujeitos à soberania russa;

    §1. A linha concordada está traçada no mapa submetido como uma parte essencial deste tratado de paz. A fixação exata da linha será  estabelecida por uma comissão russo-germânica.

    §2. Nenhuma obrigação recairá sobre a Rússia sobre os territórios designados, emergindo isto do fato de que pertenciam originalmente à Rússia.

   §3. A Rússia se absterá de toda interferência nas relações internas desses territórios. A Alemanha e a Áustria-Hungria se propõem a determinar o futuro status desses territórios em acordo com suas populações.

Artigo IV. Tão logo uma paz global seja concluída e a desmobilização russa seja terminada completamente, a Alemanha irá evacuar o território situado a leste da linha designada no §1 do Artigo III, na medida em que o Artigo IV não estabeleça de outra forma.

    §1. A Rússia fará tudo o que estiver a seu alcance para assegurar a imediata evacuação, por suas tropas,  das províncias da Anatólia Oriental e seu retorno legal à Turquia

    §2. Os distritos de Erdehan, Kars e Batum irão, da mesma forma e sem retardo, ser evacuados por parte da tropas russas. A Rússia não interferirá na reorganização das relações nacionais e internacionais desses distritos, mas deixará  a cargo das populações locais desses distritos,  a condução dessa reorganização, de acordo com os estados vizinhos, especialmente com a Turquia.

Artigo V. A Rússia irá, sem delongas, levar a termo a completa desmobilização de seu exército, incluindo as unidades recentemente organizadas pelo presente governo. Sobretudo, a Rússia irá ou recolher seus vasos de guerra de volta aos portos russos e lá mantê-los até o dia da conclusão de uma paz global, ou desarmá-los. Os vasos de guerra dos Estados  que continuarem em  beligerância com as Potências da Quádrupla Aliança, na medida em que estiverem sob a soberania russa, serão tratados como vasos de guerra russos


    §1 A zona de exclusão no Oceano Ártico continua como tal até a conclusão de uma  paz global. No Mar Báltico e, na medida em que o poder russo se estenda sobre o Mar Negro, a remoção das minas será realizada de uma vez. A navegação mercante  dentro dessas regiões marítimas será  reiniciada de uma vez. Comissões mistas serão organizadas para formular  regulamentações  mais detalhadas, especialmente  para informar aos navios mercantes com relação às rotas restritas. As rotas de navegação deverão ser sempre mantidas livres de minas flutuantes.

Artigo VI. A Rússia se obriga a concluir de vez a paz com a  República Popular da Ucrânia e reconhecer o tratado de paz entre aquele estado e as  Potências da Quádrupla Aliança. O território ucraniano irá, sem delongas, ser evacuado por parte das tropas russas e da Guarda Vermelha Russa. A Rússia deverá por fim a toda agitação ou propaganda contra o governo ou instituições públicas da República Popular da Ucrânia.

    §1 A Estônia e a Livônia (Letônia ou Lituânia?) serão, da mesma forma, sem delongas, evacuadas por parte das tropas russas e da Guarda Vermelha Russa. A fronteira oriental da Estônia corre, em geral, ao longo  do Rio Narwa. A fronteira oriental da Livônia cruza, em geral, os lagos Peipus e Pskow até o lado sudoeste do último, então através do Lago Luban na direção de Livenhof em Dvina. A Estônia e a Livônia serão ocupadas pela força de polícia alemã até que a segurança seja assegurada pelas instituições nacionais apropriadas e até que a ordem pública tenha sido estabelecida. A Rússia irá liberar de vez todos os habitantes presos ou deportados da Estônia e Livônia e assegurar o retorno seguro de todos os estonianos e livonianos deportados.

     §2 A Finlândia e as Ilhas Aaland serão imediatamente evacuadas das tropas russas e da Guarda Vermelha Russa e os portos finlandeses da frota russa e das forças navais russas. Na medida em que o gelo impedir a transferência  de vasos de guerra para os portos russos, apenas forças limitadas  irão permanecer a bordo dos vasos de guerra. A Rússia deverá por fim a toda agitação ou propaganda contra o governo ou instituições públicas da Finlândia.

    §3 As fortificações construídas nas Ilhas Aaland deverão ser removidas tão cedo quanto possível. Com relação à permanente não fortificação dessas ilhas tanto quanto ao tratamento posterior dessas ilhas com respeito aos aspectos militares e técnicos da navegação, um acordo especial deverá ser concluído entre a Alemanha, Finlândia, Rússia e Suécia;  há o entendimento   com o efeito de, ao desejo alemão, que outros países limítrofes com o Mar Báltico serem consultados sobre esse assunto.

Artigo VII. Em vista do fato da Pérsia e Afeganistão serem estados livres e independentes, as partes contratantes obrigam-se mutuamente a respeitar a independência política e econômica e a integridade territorial desses estados.

Artigo VIII. Os prisioneiros de guerra de ambas as partes serão liberados para voltar às suas terras natais. O estabelecimento das questões conexas será efetuado por meio de tratados especiais providenciados no Artigo XII.

Artigo IX. As partes contratantes renunciam a compensações por suas despesas de guerra, isto é, dos gastos públicos na condução da guerra, bem como  da compensação pelas perdas de guerra, isto é, a perdas então causadas por elas e seus compatriotas dentro das zonas de guerra em função de medidas militares, inclusive todas as requisições efetuadas no território inimigo.

Artigo X.  As relações diplomáticas e consulares entre as partes contratantes serão reiniciadas imediatamente com a notificação do tratado de paz. Com respeito à admissão recíproca de
cônsules, acordos separados estão reservados.

Artigo XI. Com respeito às relações econômicas entre as Potências da Quádrupla Aliança e a Rússia, as regulamentações contidas nos Apêndices II-V são determinativas...

Artigo XII. O restabelecimento das relações legais  públicas e privadas, a troca de prisioneiros de guerra  e cidadãos internados, a questão da anistia bem como a quentão inclusa do tratamento dos navios mercantes que acabaram sob o poder do oponente serão regulamentadas em tratados separados com a Rússia, que forma uma parte essencial no tratado global de paz e, tão logo viável, entrará em vigor simultaneamente com o último.

Artigo XIV. Na interpretação deste tratado, os textos alemães e russos são mandatórios para as relações entre a Alemanha e Rússia; os textos alemão, húngaro e russo para as relações entre a Áustria-Hungria e Rússia; os textos búlgaro e russo para as relações entre Bulgária e Rússia; os textos turco e russo para as relações entre Turquia e Rússia.

Artigo XV. O presente tratado será ratificado. Os documentos  de ratificação deverão, tão cedo quanto possível, ser trocados em Berlim. O Governo Russo obriga-se, ao desejo de uma das Potências da Quádrupla Aliança, executar a troca dos documentos de ratificação  dentro de um  período de duas semanas. A menos do estabelecido de outra forma em seus artigos, em seus anexos ou em tratados adicionais, o tratado de paz entra em vigor no momento de sua ratificação.

Em testemunho os então plenipotenciários assinam este tratado de próprio punho.

Executado em cinco vias em Brest-Litovsk, 3 de março de 1918.

     
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