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VI, 50
O Sepultamento dos Romanovs e As Mudanças na Rússia

Revisão em 07-DEZ-2006.
 

 VI. 50.

Dedans le puits seront trouvez les os,
Sera l'incest commis par la marastre;
L'estat changé on querra bruit & los,
Et aura Mars ascendant pour son astre.
 

 VI. 50.

Dentro da cova serão descobertos os ossos
Será o incesto cometido pela madrasta
O estado mudado na busca de brilho e louros
E terá Marte (a guerra) no ascendente por
seu astro

     

         Esta quadra, ao que tudo indica, fala dos  eventos  decorrentes do esfacelamento da União Soviética e também do sepultamento dos Romanov. Em relação aos eventos do final da União Soviética, ela deixa claro o uso da força militar, em várias situações.

        O fim da União Soviética veio com a queda do muro de Berlim. No entanto, seu desenrolar deu-se em meio a um processo progressivo, começando com Gorbatchov, e suas reformas liberalizantes ( Glassnost,   Perestroika, etc).

        Ao final de 1989, as 15 repúblicas soviéticas começaram a manifestar anseios de independência, o que levou Gorbachov a enviar,  em janeiro de 1990, 11.000 homens com tanques para dominar  os separtistas do Azerbaijão, ao custo de 60 civis mortos; depois foi a vez de endurecer o discurso com os radicais

nacionalistas lituanos.
    O final consumado da União Soviética ocorreu  com a eleição de Boris Yeltsin, em junho de 1991. Precisou, no entanto, liderar a resistência contra os golpistas, levando o povo às ruas e conseguindo apoio da maioria dos militares, acabando por devolver o poder a Gorbachov, como presidente.  No entanto, durante a rebelião,  Yeltsin autoproclamou-se  comandante-chefe das forças soviéticas em território russo.  Em 25 de dezembro de 1991, Gorbatchov renuncia, enterrando definitivamente a  União Soviética.

        Em 1993, em 21 de setembro, após intermináveis negociações improdutivas com  o  Parlamento majoritariamente comunista,  Yeltsin anuncia eleições para dezembro, dentro de um novo modelo legislativo. O Parlamento reage, alegando violação da constituição, anunciando o impeachment de Yeltsin, e  nomeando Rutshoi, vice de Yeltsin, para seu lugar. O país ficou com dois chefes de Estado: um no Kremlin (Yelstin) e outro na Casa Branca (Rutshoi). As forças armadas não reagiram, o que foi uma leitura de apoio a Yeltsin e a população reagiu com apatia, a não ser alguns milhares de comunistas saudosistas.

        Em 4 de outubro, tanques e blindados bombardeiam a Casa Branca durante horas, no episódio mais violento em Moscou desde  a Revolução de 1917, deixando um saldo de 200 mortos (antes 62 morreram, no incidente da invasão da Prefeitura de Moscou).  No entanto, após o fim da rebelião, a calmaria durou pouco. Os eleitores revoltados com a penúria econômica votaram em massa na extrema esquerda.

        Em 1994, Yeltsin envia 40.000 homens à Chechênia  para conter os separatistas, na maior operação militar desde a Guerra do Afeganistão. A capital, Grozny foi arrasada por bombardeios aéreos e grande parte da população fugiu para as montanhas. Dos 400.000 habitantes, restaram 130.000. O acordo de paz só foi assinado em 1997, por Yeltsin, o que só empurrou um problema para adiante: o status político da Chechênia, que provocaria nova explosão em 1999.

        Todo esse histórico foi feito para explicar o último verso e, por conseqüência o penúltimo que, enfim, nos levará ao primeiro e segundo versos. É interessante observar, que aqui é feita uma abstração sobre todo um período de aproximadamente dez anos, onde o enterro dos restos da Família Real foi usado como uma referência.

            Nove dos onze corpos remanescentes  do massacre dos Romanovs foram encontrados em 1991 em uma floresta desolada dos Montes Urais, fora de Ekaterimburg. Da família real, dois esqueletos jamais foram encontrados: Alexei, o filho único do czar (circula uma versão que afirma que ele teria sido poupado,  vindo a morrer 1977) e uma filha, que os cientistas acreditam ser Maria.  Isso possivelmente ocorreu porque os assassinos precisaram testar a combustão dos cadáveres, o que foi provavelmente feito com os corpos de Alexei e Maria, porém não com os demais. Os ossos de Anastácia também foram encontrados - segundo os cientistas que realizaram o exame de DNA - junto com os demais. De fato, a localização fora realizada em 1977, por um cinegrafista russo, que porém guardou segredo por temer por sua segurança pessoal. E isso parece coincidir com a demolição da  casa em Ekaterimburg onde os Romanovs foram assassinados. Sessenta anos passados após o assassinato da família real russa e os comunistas ainda reagiam como se tivesse ocorrido no mês anterior!

        O sepultamento dos Romanov, em 1998, exatamente oitenta anos após terem sido chacinados por ordem da Lênin (ele está em todas, ver C01Q052, P089M10, P032M11) foi eivado de controvérsias. A Igreja Ortodoxa Russa recusou-se a comparecer face a dúvidas (infundadas) sobre a identificação dos ossos encontrados e a cerimônia contou, de fato, com a presença de Boris Yeltsin,  que só confirmou sua presença no dia anterior ao da cerimônia.

    Yeltsin condenou firmemente o assassinato múltiplo, buscando trazer a si o papel de grande resgatante da honra russa, perante um assassinato brutal e injustificável. De fato, na condenação do comunismo respalda-se toda ação de Yeltsin. (L'estat changé on querra bruit & los)

        No entanto, sua presença só foi confirmada após saber que a Igreja Ortodoxa houvera desautorizado a presença dos bispos na cerimônia.  Dessa forma sua presença  não causaria constrangimento. E assim foi a cerimônia, onde a principal presença era a do ex-dirigente comunista, representando a República Russa. (Sera l'incest commis par la marastre)

        O primeiro verso é explicado pela cerimônia de sepultamento: não havia corpos, apenas ossos (Dedans le puits seront trouvez les os). E o último verso é explicado pelo histórico mencionado acima. Se quisermos identificar um evento principal, podemos citar  o associado à eleição de Yeltsin,  quando houve a revolta comunista, embora deva ser lembrado que esta quadra não fala de um único evento mas de um encadeamento deles dentro de um período. Ter Marte no ascendente como astro significa uma influência, uma tônica de situações e não um único evento específico.

     
     
Referências
     
I,52, P089M10, P032M11.
     
Notas
     
07-DEZ-2006.
Sera l'incest commis par la marastre;
07-DEZ-2006a) 16h09 » Boris Yeltsin acredita que a queda da União Soviética era "inevitável"

"...O ex-dirigente de 75 anos reconhece uma "certa nostalgia" da União Soviética, porque cresceu e passou "quase toda" sua vida naquele sistema. "Acho que é natural", acrescentou o homem que assinou a sentença de morte da União Soviética em 8 de dezembro de 1991 com seus colegas da Bielo-Rússia e da Ucrânia. ."
21-JAN-2003.
     
   

a) Comunistas lembram aniversário da morte de Lenin. O líder do Partido Comunista da Rússia (PCR), Gennadi Zuiganov, depositou hoje flores ao pé do mausoléu do fundador da ex-União Soviética, Vladimir Lenin, morto em 21 de janeiro de 1924. Acompanhado por cerca de 400 militantes do PCR, Ziuganov presidiu na Praça Vermelha de Moscou os atos comemorativos por ocasião do 79º aniversário da morte de Lenin, "a maior figura da atualidade", segundo o líder comunista. Sem mais comentários.

     
31-AGO-2002. Revisão de texto e inclusão de referências.
     
19-FEV-2002. Correção da tradução do primeiro verso. puits = buraco fundo cavado pela mão do homem. trouvez = descobrir. Sem mudança na interpretação.
     
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