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X. 98. |
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X. 98. O esplendor claro à virgem
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Esta quadra fala sobre a Revolução Comunista de 1917 e sua proposta de
internacionalização.
Nostradamus indica que a Revolução Russa chegaria ao fim (VI,74) após setenta e três anos, mas também diz que ela seria "sem sal". É um dos julgamentos que faz da Revolução de 1917. E observa que, junto com os russos, marchariam "lobos(alemães) odiosos". Adiante analisaremos esse ponto importante. O termo pesle mesle significa per les meslée, isto é pela via do conflito, da luta, militar ou pela via da confusão. Talvez a observação arguta seja a de que a União Soviética e a Revolução Comunista, na prática, não passou de uma extensão, sob nova roupagem, do imperialismo russo e serviu como uma luva para manter subjugados, sob a capa do internacionalismo, uma série de países e nacionalidades que o Grande Império Russo agregara paulatinamente ao longo de séculos. Em lugar de ocupação militar ou econômica, havia a ocupação "ideológica". Esse modelo foi seguido também pelo comunismo chinês, que, da mesma forma buscou formas de internacionalização. A quadra V,65, sobre a revolução de 1964, diz que os "principais do problema" estariam clandestinos e isso representava, sem dúvida, um exemplo do braço de internacionalização da Revolução Comunista (ver a quadra citada) , como foram também, Cuba e outros países não situados na Europa. Nostradamus diz a Cuba seria (e)levada uma cópia, em uma quadra extremamente irônica e sutil (ver V,26). O ativismo político de esquerda, pela via da luta armada ou pelas tonalidades não violentas, também ocupou muito das discussões de uma boa parte do Séc. XX, senão quase todo ele, continuando até hoje como um tema aberto. Nas quadras em que abordaremos as questões relacionadas ao fundamentalismo muçulmano, voltaremos a esse tema. O terceiro verso, no entanto, confirma o que vários estudos já levantaram. Os alemães são, na obra de Nostradamus, em geral simbolizados pelo lobo (loups; ver, por exemplo, V,4) . No caso, Nostradamus aponta para uma questão crucial da Revolução Russa: o papel do Kaiser alemão e seu serviço secreto, do tratado de Brest-Litovsky e da sorte que os bolcheviques, e em particular Lênin, tiveram ao final de tudo. Isso também aponta para a quadra V,26 (heur martial). Vamos sintetizar a questão e sugerimos que aqueles que desejarem informações adicionais busquem na Internet pelas palavras chave "russian revolution, german, kayser", por exemplo. O kayser alemão, por meio de Artur Zimmernam, Secretário de Negócios Estrangeiros da Alemanha, entre 1915 e 1917 subvencionou e incentivou atividades de subversão dentro da Rússia, cooptando revolucionários, em particular Vladimir Ilitch Lenin. Segundo as informações, Lênin teria embolsado uma quantia em torno de 50.000.000 de marcos alemães em ouro. A questão foi tão séria que os negociadores alemães do Tratado de Brest-Litovsky chantagearam Lênin, obrigando-o a assinar o tratado (que Lênin não desejava), tão vantajoso para a Alemanha, praticamente derrotada, e tão desvantajoso para Rússia, futura União Soviética. Isso foi admitido pelo principal negociador alemão (um general). Receber dinheiro, em tempo de guerra, do serviço secreto inimigo com o fim de sublevar a população e as tropas militares contra o governo tem um nome em qualquer país, localidade ou língua. Chama-se ALTA TRAIÇÃO e em geral é paga com a própria vida. A divulgação desse fato, pela lógica do Kayser, seria suficiente para liquidar com a Revolução Bolchevique, uma vez que atingiria em cheio a integridade de sua cúpula e de seus principais líderes, que não teriam como se sustentar no poder diante de tal acusação sem defesa. Mas a Alemanha perdeu a guerra e o kayser renunciou naquele ano. Passou considerar um mau negócio a associação de seu nome ao dos bolchevistas em uma Alemanha anti-semita. Observemos que era comum a associação da Revolução Bolchevista a uma conspiração judaica e que, em toda a Europa, os judeus eram alvo de perseguições (A quadra II,28 parece indicar uma deturpação feita com o sobrenome de Lênin para divulgar, de forma equivocada, a origem "judaica" da Revolução Russa). Na Alemanha, Hitler conquistava suas audiências pregando contra a conspiração "judaico-comunista". Após a derrota, o kaiser, amedrontado e apeado do poder considerou primeiro a sua segurança pessoal e não divulgou a associação entre seu governo e os bolchevistas - como era seu plano original -, em uma Alemanha racista. As circunstâncias históricas conspiraram para que o fato não fosse divulgado. A Revolução Bolchevista teve boa fortuna nesse caso. O Governo Provisório, da Revolução de Fevereiro, na figura de Kerensky, bem como o serviço secreto francês, levantou informações sobre o dinheiro que estaria sendo canalizado da Alemanha até os revolucionários bolcheviques, em uma conexão que passava pelo Banco da Sibéria, em Petrogrado, e pela Escandinávia. Essas informações levaram Lênin de volta à clandestinidade em julho de 1917, tendo alguns de seus companheiros sido presos (ver VIII,92). Oficialmente, o motivo das ordens de prisão teria sido o apoio que Lênin houvera ostensivamente hipotecado aos desertores do Exército Russo, que estavam, por força das armas que expropriaram do Exército Imperial Russo , invadindo e confiscando propriedades pertencentes à nobreza. Só como observação, os desertores contavam, no total, 2.000.000. Lênin ao cair na clandestinidade foi para a Finlândia, onde ficou sob a proteção de um bolchevista que ocupava de um cargo na polícia e teve tempo de terminar seu livro "Estado e Revolução". Nele, suas idéias sobre o que seria o futuro estado soviético foram lançadas. Esta pois a razão do termo alemães odiosos no terceiro verso. Eram os que estavam a serviço do kaiser ( e não eram necessariamente alemães...). Posteriormente tentaremos levantar a identidade desses "loups odieuse". Nostradamus faz uma menção aos alemães citados aqui em II,28, ao usar Artemide (Diana) como símbolo da União Soviética. A iconografia de Artemide coloca-a sentada em seu trono sobre uma pele de lobo. Nostradamus chama a revolução Comunista de 1917 de pucelle joyeuse isto é virgem (ou cria) virtuosa. O quarto verso diz que a revolução seria um "monstro universal". Para os aficionados em numerologia: X.98 ->10/9+8=10/17 = OUT/1917. As diversas versões existentes para o original desta quadra dificultaram um pouco a interpretação. |
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| Referências | ||
| VI,74, V,65, V,26, V,4, II,28 ,VIII,92, VI,61. | ||
| Notas | ||
| 16-JUL-2003. Transcrevemos abaixo alguns trechos do livro "A Revolução Russa", de Alan Moorehead, (Ibrasa, 1960): | ||
| pag. 209-210 |
"... Depois do levante de março tornara-se bastante fácil para os agentes alemães - a maioria deles russos a soldo dos alemães [ cf. interpretação: - " e não eram necessariamente alemães..."] viajarem da Suécia para Petrogrado e Estocolmo passara a ser um importante centro de espionagem e propaganda alemãs. Havia um canal regular através do qual o dinheiro alemão era transferido de Estocolmo para as contas de agentes no Banco Russo-Asiático e no Banco Siberiano em Petrogrado. Pouca dúvida existe de que parte dos fundos bolchevistas chegava por esse caminho. Lenine era vigiado de pero pelos alemães depois de seu regresso à Rússia e seus discursos eram recebidos em Berlim com muita aprovação". |
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| pag. 221 |
"...Uma vasta biblioteca já foi escrita sobre os
documentos que apontavam Lenine como espião, mas ainda parece duvidoso que
possamos chegar um dia a conhecer toda a verdade sobre o assunto [ver
VI,61]. Alguns aspectos, porém, foram
estabelecidos sem sombra de dúvida. Uma fonte de informação contra Lenine
foi um oficial Ucraniano chamado Ermolenko, que antes da guerra havia
sido agente da polícia secreta czarista. Durante a guerra, aproximara-se dos
alemães e concordara em agir como seu espião nos campos de prisioneiros de
guerra russos. |
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| 29-AGO-2002. Revisão final. | ||
| 24-FEV-2002. Modificação da tradução do terceiro verso: em lugar de manifestantes, ativistas. Introdução da menção à Diana. | ||
| 15-FEV-2002. Revisão do texto original. Correção do original dos segundo e quarto versos. As diferentes versões em francês, divergentes, que circulam pela rede estão gerando as diversas interpretações. Pudemos verificar que a forma mostre não existe e que em lugar de russiens há de fato a forma ruffian. A forma marchant está mais de acordo com a tradução para marchadores, isto é combatentes. Uma das formas mais comuns de luta da revoluçào comunista foramas passeatas. Parece-nos mais adequado do que a foma pleonástica de mercadores. Afinal, nem todos os que que lutaram na revolução mercadores. As versões não mudam substancialmente a interpretação original. | ||
| 17-JAN-2002. Há uma versão do quarto verso que, em lugar de mostre é grafada monstre. Não temos os originais das profeciais e por iso não iremos entrar no mérito da questão, principalmente porque não muda em nada o julgamento de Nostradamus em relação à Revolução Comunista, e nem a interpretação desta quadra. | ||
| 28-DEZ-2001. O terceiro verso teve a tradução modificada (de lobos odiosos para alemães odiosos) e introduzida uma explicação a respeito | ||
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