Ant(Loc) Ant(Cent) Índice Local Indice(cent) Índice Temático Índice Completo Página Principal

English

Próx. (Cent) Próx(Loc)


A Revolução Internacional: Monstro Universal. O Ativismo Político - Pesle mesle
Revisão de 29-AGO-2002
 

X. 98.
 
La splendeur claire à pucelle joyeuse
Ne luyra plus long temps sera sans sel :
Avec marchans, ruffiens, loups odieuse,
Tous pesle mesle monstre universel.
 

X. 98.

O esplendor claro à virgem virtuosa
Não brilhará por muito tempo e será sem sal
Junto com os ativistas, rufiões, lobos (alemães) odiosos
Todos pela luta, monstro universal
 

     
  Esta quadra fala sobre a Revolução Comunista de 1917  e sua proposta de internacionalização.

        Nostradamus indica que a Revolução Russa chegaria ao fim (VI,74) após setenta e três anos, mas também diz que ela seria "sem sal". É um dos julgamentos que faz da Revolução de 1917. E observa que, junto com os russos, marchariam "lobos(alemães) odiosos".  Adiante analisaremos esse ponto importante.

        O termo pesle mesle significa per les meslée, isto é pela via do conflito,  da luta,  militar ou pela via da confusão.

        Talvez a observação arguta seja a de que a União Soviética  e a Revolução Comunista, na prática, não passou de uma extensão, sob nova roupagem, do imperialismo russo  e serviu como uma luva para manter subjugados, sob a capa do internacionalismo, uma série de países e nacionalidades que o Grande Império Russo agregara paulatinamente ao longo de séculos. Em lugar de ocupação militar ou econômica, havia a ocupação "ideológica".  Esse modelo foi seguido também pelo comunismo chinês, que, da mesma forma buscou formas de internacionalização.  A quadra V,65, sobre a revolução de 1964, diz que os "principais do problema" estariam clandestinos e isso representava, sem dúvida, um exemplo do braço de internacionalização  da Revolução Comunista (ver a quadra citada) , como foram também, Cuba e outros países não situados na Europa. Nostradamus diz a Cuba seria (e)levada uma cópia, em uma quadra extremamente irônica e sutil (ver V,26).  O ativismo político de esquerda, pela via da luta armada ou pelas tonalidades  não violentas, também ocupou muito das discussões  de uma boa parte do Séc. XX, senão quase todo ele, continuando até hoje como um tema aberto.

        Nas quadras em que abordaremos as questões relacionadas ao fundamentalismo muçulmano, voltaremos a esse tema.

        O terceiro verso, no entanto, confirma o que vários estudos já levantaram. Os alemães são, na obra de Nostradamus,  em geral simbolizados pelo lobo (loups; ver, por exemplo, V,4) . No caso, Nostradamus aponta para uma questão crucial da Revolução Russa: o papel do Kaiser alemão e seu serviço secreto, do tratado de Brest-Litovsky e da sorte que  os bolcheviques, e em particular Lênin, tiveram ao final de tudo. Isso também  aponta  para a quadra V,26 (heur martial). Vamos sintetizar a questão e sugerimos que aqueles que desejarem informações adicionais busquem na Internet pelas palavras chave "russian revolution, german, kayser", por exemplo.

        O kayser alemão, por meio de Artur Zimmernam, Secretário de Negócios Estrangeiros da Alemanha, entre  1915 e 1917 subvencionou e incentivou atividades de subversão dentro da Rússia, cooptando revolucionários, em particular Vladimir Ilitch  Lenin. Segundo as informações, Lênin teria embolsado uma quantia em torno de 50.000.000 de marcos alemães em ouro.  A questão foi tão séria que os negociadores alemães do Tratado de Brest-Litovsky  chantagearam Lênin, obrigando-o a  assinar o tratado (que Lênin não desejava), tão vantajoso para a Alemanha, praticamente derrotada, e tão desvantajoso para Rússia, futura União Soviética. Isso foi admitido pelo principal negociador alemão (um general).

     Receber dinheiro, em tempo de guerra, do serviço secreto  inimigo com o fim de sublevar a população e as tropas militares contra o governo tem um nome em qualquer país, localidade ou língua. Chama-se

                                                  ALTA TRAIÇÃO

e em geral é paga com a própria vida.

        A divulgação desse fato, pela lógica do Kayser,  seria suficiente para liquidar com a Revolução Bolchevique,  uma vez que atingiria em cheio a integridade de sua cúpula e de seus principais líderes, que não teriam como se sustentar no poder diante de tal acusação sem defesa.

        Mas a Alemanha perdeu a guerra e o kayser renunciou naquele ano. Passou considerar   um mau negócio  a associação de seu nome  ao dos  bolchevistas em uma Alemanha anti-semita.   Observemos que era comum a associação da Revolução Bolchevista a uma conspiração judaica e que, em toda a Europa, os judeus eram alvo de perseguições (A quadra II,28 parece indicar uma deturpação feita com o sobrenome de Lênin para divulgar, de forma equivocada, a origem "judaica" da Revolução Russa).  Na Alemanha, Hitler conquistava suas audiências pregando contra a conspiração "judaico-comunista".  Após a derrota,  o  kaiser, amedrontado e apeado do poder considerou primeiro a sua segurança pessoal e não divulgou a associação entre seu governo e os bolchevistas - como era seu plano original -, em uma Alemanha racista.

        As circunstâncias  históricas conspiraram para que o fato não fosse divulgado. A Revolução Bolchevista teve boa fortuna nesse caso.

        O Governo Provisório, da Revolução de Fevereiro,  na figura de Kerensky, bem como o serviço secreto francês,  levantou informações sobre o dinheiro que estaria sendo canalizado  da Alemanha até os revolucionários bolcheviques, em uma conexão que passava pelo Banco da Sibéria, em Petrogrado, e pela  Escandinávia. Essas informações levaram Lênin de volta à  clandestinidade em julho de 1917, tendo alguns de seus companheiros sido presos (ver VIII,92). Oficialmente, o motivo das ordens de prisão teria sido o apoio que Lênin houvera ostensivamente hipotecado aos desertores do Exército Russo, que estavam, por força das armas que expropriaram do Exército Imperial Russo , invadindo e confiscando propriedades pertencentes à nobreza.  Só como observação, os desertores contavam, no total, 2.000.000.

        Lênin ao cair na clandestinidade foi para a Finlândia, onde ficou sob a proteção de um bolchevista que ocupava de um cargo na polícia e teve tempo de terminar seu livro "Estado e Revolução". Nele,  suas idéias sobre o que seria o futuro estado soviético foram lançadas.

        Esta pois a razão do termo alemães odiosos  no terceiro verso. Eram os que estavam a serviço do kaiser ( e não eram necessariamente alemães...). Posteriormente tentaremos  levantar a identidade desses "loups odieuse".

        Nostradamus faz uma menção aos alemães citados aqui em II,28, ao usar Artemide (Diana) como símbolo da União Soviética. A iconografia de Artemide  coloca-a sentada em seu trono sobre uma pele de lobo.

        Nostradamus chama a revolução Comunista de 1917 de pucelle joyeuse isto é virgem (ou cria) virtuosa.

        O quarto verso diz que a revolução seria um "monstro universal".

        Para os aficionados em numerologia: X.98 ->10/9+8=10/17 = OUT/1917.

        As diversas versões existentes para o original  desta quadra dificultaram um pouco a interpretação.

     
     
Referências
     
 VI,74, V,65V,26, V,4, II,28 ,VIII,92, VI,61.
     
Notas
     
16-JUL-2003.  Transcrevemos abaixo alguns trechos do livro "A Revolução Russa", de Alan Moorehead, (Ibrasa, 1960):
  pag. 209-210

"... Depois do levante  de março tornara-se bastante fácil para os agentes alemães - a maioria deles russos a soldo dos alemães [ cf. interpretação: - " e não eram necessariamente alemães..."] viajarem da Suécia para Petrogrado e Estocolmo passara a ser um importante centro de espionagem  e propaganda alemãs. Havia um canal regular através do qual o dinheiro alemão era transferido de Estocolmo para as contas de agentes no Banco Russo-Asiático e no Banco  Siberiano em Petrogrado. Pouca dúvida existe de que   parte dos fundos  bolchevistas chegava por esse caminho.  Lenine era vigiado de pero pelos alemães  depois de seu regresso à Rússia  e seus discursos eram recebidos em Berlim com muita aprovação".

  pag. 221

"...Uma vasta biblioteca já foi  escrita sobre os documentos que apontavam Lenine como espião, mas ainda parece duvidoso que possamos chegar um dia a conhecer toda a verdade sobre o assunto  [ver VI,61]. Alguns aspectos, porém, foram estabelecidos sem sombra de dúvida. Uma fonte de informação contra Lenine  foi um oficial Ucraniano chamado Ermolenko, que antes da  guerra havia sido agente da polícia secreta czarista. Durante a guerra, aproximara-se dos alemães e concordara em agir como seu espião nos campos de prisioneiros de guerra russos.
     Em 1917, os alemães mandaram-no de volta à Ucrânia, a fim de realizar atos de sabotagem e espionagem por trás   das linhas russas. Ermolenko prontamente informou às autoridades russas sobre sua missão. Declarou a oficiais  do serviço secreto que os alemães lhe haviam contado que Lenine era um de seus agentes.
     O Gen. Denikin, oficial russo a cuja presença Ermolenko  foi levado ficou muito impressionado com essa informação e transmitiu-a a Petrogrado. Entretanto, o governo provisório decidiu não tomar providências. Afinal de contas, o depoimento não era corroborado por ouras testemunhas e Ermolenko era um homem de passado um tanto  duvidoso. foi mandado  à Rússia Central e advertido para que se conservasse quieto. Isso aconteceu em maio. Em julho, porém, as coisas tinham uma aparência muito diferente: havia agora boas razões para acreditar  que estava em desenvolvimento uma conspiração bolchevista. Ermolenko foi levado de volta á Capital e, embora não pudesse apresentar qualquer outra prova, havia outros em condições de fazê-lo. O próprio Kerensky fora  avisado das atividades de Lenine no princípio do ano. Haviam sido interceptados uns vinte telegramas passados entre os bolchevistas e Estocolmo, os quais tornavam claro   que o partido recebera dinheiro estrangeiro em Petrogrado. Agora, um certo Alexinskiy, um ex-deputado bolchevista, mostrava-se disposto  a depor: ele também tivera informações de que Lenine mantinha correspondência com Parvus, Ganesky e outros  agentes alemães em Estocolmo, dos quais recebia dinheiro."

Perdoem-nos: ao som da música de Chico Buarque de Holanda, "Olhaí, ah, olhaí, olhaí, olhaí é o meu guri, olhaí, olhaí.." 

     
29-AGO-2002. Revisão final.
     
24-FEV-2002. Modificação da tradução do terceiro verso: em lugar de manifestantes, ativistas. Introdução da menção à Diana. 
     
15-FEV-2002. Revisão do texto original. Correção do original dos segundo e quarto versos. As diferentes versões em francês, divergentes,  que circulam pela rede estão gerando as diversas interpretações. Pudemos verificar que a forma mostre não existe e que em lugar de russiens há de fato a forma ruffian. A forma marchant está mais de acordo com a tradução para marchadores, isto é combatentes. Uma das formas mais comuns de luta da revoluçào comunista foramas passeatas. Parece-nos mais adequado do que a foma pleonástica de mercadores. Afinal, nem todos os que que lutaram na revolução mercadores. As versões não mudam substancialmente a interpretação original.
     
17-JAN-2002. Há uma versão do quarto verso que, em lugar de mostre é grafada monstre. Não temos os originais das profeciais  e por iso não iremos entrar no mérito da questão, principalmente porque não muda em nada o julgamento de Nostradamus em relação à Revolução Comunista, e nem a interpretação desta quadra.
     
28-DEZ-2001. O terceiro verso teve a tradução modificada (de lobos odiosos para alemães odiosos) e introduzida uma explicação a respeito
     
Ant(Loc) Ant(Cent) Índice Local Indice(cent) Índice Temático Índice Completo Página Principal

English

Próx. (Cent) Próx(Loc)

Copyright ©2001-2002  Todos os direitos reservados. Reprodução e uso proibidos sem autoriz